O outono que não existiu

quarto

O tempo passa despercebido em meio a dias estranhos de isolamento. Alguns dias são melhores que outros, uns mais longos, outros mais curtos. A paisagem é sempre a mesma. As companhias, nunca mudam. Só noto o avanço dos dias ao sentir a franja chegar aos olhos, ao ver a geladeira esvaziar. A poeira acumulada nos cantos denuncia que há algum tempo meu olhar andou distraído e a motivação esteve em falta. Talvez seja a falta de sono, ou o cansaço de mais um dia carregado das mesmas notícias, dos mesmos medos, das mesmas tentativas de manter as esperanças.

A chuva ricocheteando no vidro combina com as lágrimas que escorrem dos meus olhos e as fortes batidas do meu coração. Queria um abraço, um riso, um mergulho no mar. Mas, enquanto risco o calendário na parede – mais num ato simbólico do que outra coisa –, só o que posso fazer é mergulhar em um livro atrás do outro na tentativa de viver uma vida diferente da minha.

E respirar fundo, procurando manter a calma.

 

 

2 comentários em “O outono que não existiu

Deixe uma resposta para Miguel Viñas Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s